Quem leu o meu livro sabe que em determinado momento falo para um amigo sobre uma leitura que fiz.
O livro que menciono é A Cidade do Sol de Khaled Hosseini, não me lembro como ele veio parar nos meus livros, mas sei que não foi comprado novo.
A parte citada é quando Fariba admite para a filha que já pensou em tirar a própria vida e a filha decide esconder todas as facas, objetos cortantes e perfurantes da casa.
Quando li o livro pela primeira vez eu me identifiquei com uma Fariba depressiva. Por algum motivo eu não terminei de ler (muito provavelmente porque eu estava muito mal e com a cabeça cheia de pensamentos que não me deixavam me concentrar na leitura).
Depois de 4 anos decidi ler novamente o livro e ver qual é o destino de Marian e Laila. Achei que agora poderia ler a página 128 (onde está o trecho mencionado).
Não tem como fugir, quando leio essa parte sou levada há 4 anos atrás e encontro uma Nina depressiva. É inevitável me perguntar o que teria acontecido se eu tivesse seguido em frente, se meu amigo não fizesse de tudo para me ajudar...
Definitivamente não poderei ler esse livro novamente, mesmo que eu goste da estória, a página 128 sempre me levará para um lugar sombrio que estive.
E não é porque já passou que estou livre.
De vez em quando sinto aqueles dias me rondando, esperando qualquer descuido para se instalar. Sinto os dedos gélidos da minha velha conhecida passando perto de mim, sobre os meus cabelos, sobre a minha garganta...
Não sei quanto tempo vou aguentar, não sei se tenho forças para lutar novamente. Só sei que não encontro quem possa me consolar. Algumas feridas sangram e não sei onde achar repouso.
