Páginas

terça-feira, 19 de novembro de 2024

Como me confesso (utilidade pública)

 


No ano que a distonia surgiu na minha vida eu estava prestes a fazer a Crisma. No começo era fácil fazer a confissão, o querido e saudoso padre Mateus fazia de forma prática pra todo mundo, perguntava o decálogo e os cinco mandamentos da Igreja, o penitente só tinha que responder sim ou não, no final ele perguntava se tinha mais algum pecado que queria confessar. Eu só precisava ser levada até a sala que ele estava, aguentar ajoelhada as perguntas, receber a absolvição e a penitência, e depois, todo solícito, o padre me ajudava a levantar e me levava até a porta onde tinha alguém me esperando. 

Quando o padre Mateus ficou bastante doente,  não podendo celebrar Missa, eu fiquei muito tempo sem confessar, consequentemente eu não comungava mais e isso me incomodou por muito tempo. 

Quando tivemos o nosso primeiro pároco, levei minha questão a ele. A sua resposta foi de que eu não precisava confessar, deduzindo que eu tinha apenas pecados vienais, falou que na Missa os pecados vienais são perdoados, então eu podia comungar sem problemas. Comunguei uma ou duas vezes como o padre havia falado, sem confessar, mas isso me incomodava, optei por não receber a Santa Eucaristia até encontrar uma solução. Foi uma decisão difícil, eu sentia falta de receber o Corpo de Cristo, mas não queria receber de forma inadequada. 

quarta-feira, 3 de abril de 2024

A página 128

 Quem leu o meu livro sabe que em determinado momento falo para um amigo sobre uma leitura que fiz.


O livro que menciono é A Cidade do Sol de Khaled Hosseini, não me lembro como ele veio parar nos meus livros, mas sei que não foi comprado novo.

A parte citada é quando Fariba admite para a filha que já pensou em tirar a própria vida e a filha decide esconder todas as facas, objetos cortantes e perfurantes da casa.

Quando li o livro pela primeira vez eu me identifiquei com uma Fariba depressiva. Por algum motivo eu não terminei de ler (muito provavelmente porque eu estava muito mal e com a cabeça cheia de pensamentos que não me deixavam me concentrar na leitura).

Depois de 4 anos decidi ler novamente o livro e ver qual é o destino de Marian e Laila. Achei que agora poderia ler a página 128 (onde está o trecho mencionado).
Não tem como fugir, quando leio essa parte sou levada há 4 anos atrás e encontro uma Nina depressiva. É inevitável me perguntar o que teria acontecido se eu tivesse seguido em frente, se meu amigo não fizesse de tudo para me ajudar...

Definitivamente não poderei ler esse livro novamente, mesmo que eu goste da estória, a página 128 sempre me levará para um lugar sombrio que estive.

E não é porque já passou que estou livre.
De vez em quando sinto aqueles dias me rondando, esperando qualquer descuido para se instalar. Sinto os dedos gélidos da minha velha conhecida passando perto de mim, sobre os meus cabelos, sobre a minha garganta...

Não sei quanto tempo vou aguentar, não sei se tenho forças para lutar novamente. Só sei que não encontro quem possa me consolar. Algumas feridas sangram e não sei onde achar repouso.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

O amor é simples

 Eu estava vendo um filme outro dia, no momento não importa o nome do filme ou do que se trata. Um homem era casado e todos os dias dizia eu te amo para a esposa (depois dela perguntar), a esposa por sua vez às vezes respondia "hoje é de verdade" ou "hoje é mentira". Em certa altura ela fala que não quer mais falsidades ou mentiras, então faz a pergunta de todos os dias "você me ama?", ele responde que hoje não.


O amor não é uma inconstante, onde amo a pessoa se ela me agrada ou me dá prazer de alguma forma, isso é egoísmo.
O amor é simples. Você não ama para ter algum beneficio para você, você ama querendo o melhor para a pessoa amada. O amor é sacrifício de si mesmo e ele cresce cada vez mais sem se medir. Amor é ficar feliz com a felicidade do amado, mesmo que isso lhe cause dores.
Uma macieira não dá maçãs para si mesma, assim é o amor, ele se doa por completo pelo bem do outro. Mas antes precisa se preencher do bem (não tem como dar o que não tem).
Um egoísta poderá perguntar "como fico se me doo todo para o bem/felicidade do outro?", se o amor for verdadeiro o outro também se doará por completo, isso que é o amor.
Não existe amor sozinho (até para o amor próprio é preciso de mais alguém), fora disso é egoísmo e não existe egoísta feliz. 
Amemos verdadeiramente e teremos por consequência a felicidade.