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quinta-feira, 1 de setembro de 2022

Setembro e o suicídio

 Hoje se inicia setembro. Muitos "comemoram" o Setembro Amarelo, mês dedicado a prevenção do suicídio. Quero falar um pouco sobre isso, como sempre contando algo meu.

Com a distonia desenvolvi alguns problemas psicológicos. Começou com um bloqueio mental, um retrocesso onde eu era mais criança que alguém entrando na adolescência. Conforme esse bloqueio foi diminuindo a depressão foi surgindo e logo em seguida a ansiedade deu as caras.

Tive muitas crises de depressão e ansiedade, algumas tirando totalmente a minha sanidade. Meu pior período foi quando já tinha terminado o colégio, minhas amigas estavam na faculdade, construindo suas famílias e trabalhando, e eu estava apenas em casa sem nada para acrescentar nem a mim mesma. Eu tinha crises quase semanais, quando não eram diárias. As tentativas de suicídio foram incontáveis. Os pensamentos de que eu deveria dar logo um fim estavam sempre a me rondar.

Em 2020 conheci algumas pessoas que (sem saberem) me distraíam desses pensamentos, elas nem imaginavam que eu estava ali só até eu conseguir pôr um dos meus planos em prática. A apenas um deles eu realmente me abri quase que desde o começo da nossa amizade (H), ele me ajudou em muitos momentos de crise. Um pouco depois, mais um amigo se juntou nessa ajuda (K), outros também vinham me dar apoio quando viam que eu não estava bem (e sou muito grata a cada um), mas esses dois me ajudaram muito nos meus piores momentos.

Em março de 2021 tive talvez a pior crise, ou uma das. Esse primeiro amigo que mencionei (H) passou dias conversando comigo, fazendo tudo o que estava ao seu alcance para eu desistir. Por causa de uma pequena frase dita por ele, quando ele já não sabia mais o que fazer, eu voltei atrás.

Muita coisa aconteceu nesse tempo, momentos de profunda tristeza, mas não pensava em tirar minha própria vida, apesar de algumas vezes desejar que algo acontecesse para eu terminar meus dias nesse mundo. 

Eu estava feliz. Tinha conhecido um grupo de pessoas que direta e indiretamente estavam me ajudando a crescer no meu lado espiritual (coisa que eu queria a alguns anos). Eu acreditava que nunca mais pensaria em suicídio, já fazia um ano que eu estava "limpa". Eu costumava ter esse tipo de pensamento e até ia as vias de fato quase todo mês. Era desgastante pra mim e para a minha família, eu via o quanto isso mexia com eles e ficava pior, entrando numa espiral cada vez pior. Então um ano sem pensar sobre era uma vitória. 

Mas ao que parece isso está escondido em algum canto dentro de mim. Depois de aproximadamente um ano e cinco meses voltei a esse pensamento... quebrei meu recorde. Não sei se fico feliz por ter ficado tanto tempo "limpa", ou triste por ter caído de novo. Sempre que acontece eu acredito que é o último, não porque eu acredito que nunca mais vai se repetir, mas porque acredito que por não aguentar irei até o fim nos planos...

Eu sei que muitos veem como algo de gente fraca, ou para chamar atenção, ou alguns que acompanham dizem "mas de novo isso. Que saco". Não é nada disso, é uma luta constante comigo mesma. Se eu pudesse/conseguisse, passava por tudo isso quieta, sem falar nada com ninguém, mas sei que se eu fizer isso eu vou acabar não resistindo aos meus próprios pensamentos. Graças a Deus tenho pessoas que posso contar nesses momentos.

O pensamento suicida não surge do nada. Eu tenho um gatilho bem específico que faz desandar toda a coisa, esse gatilho está diretamente ligado a distonia, então não é algo que posso simplesmente evitar sendo que a distonia veio pra ficar até o resto dos meus dias.

Eu posto fotos sorrindo, escrevo textos que faz refletir sobre a vida, ajudo quem está mal quando posso, mas não sou essa rocha que está sorrindo mesmo nos momentos difíceis (coisa que já ouvi muito dizerem sobre mim), também não sou tão doce como costumo parecer, tenho um senso de teimosia que às vezes nem eu mesma suporto.

O que quero dizer com este texto é que cada um sente a mesma dor de formas e intensidades diferentes, se não entende ao menos seja solidário. Todos têm histórias de dores e superações, alguns precisam falar para aliviar o peso, outros o fazem de outras maneiras.


*Eu não tenho acompanhamento psicológico a algum tempo, por isso estou sujeita a essas variações com mais facilidade. Por enquanto estou na lista de espera, aguardando um atendimento.

terça-feira, 19 de julho de 2022

Sonhos de amizades

 Hoje quero falar um pouco de anime, ou melhor de um anime. Conhece Komi can't communicate?



Pra quem não conhece, o anime acompanha Komi, uma garota que tem dificuldade para se comunicar e tem o sonho de ter 100 amigos. É um sonho ousado para quem não consegue falar com os outros.

Existe pessoas que não gostam muito de socializar com outras pessoas e estão bem com poucos amigos (2 ou 3) ou outras mais extremas, sem amigos, somente com colegas. Existe pessoas que sentem grande necessidade em ter (muitos) amigos, como no caso da Komi.

Já tive amizade com pessoas que não faziam muita questão de ter muitos amigos. Eles tinham bons colegas que compartilhavam os mesmo gostos e, por um motivo ou outro, essa aproximação acabava em um ano ou dois e isso não os afetavam, diziam que é assim mesmo. Esses amigos me incentivavam a pensar dessa forma, que amizades não duram mais que um ano ou dois, que não devo me importar quando acabar, que desejar amizades que durem para o resto da vida é coisa de ficção, muito mais o é querer muitos amigos.

Eu nunca consegui entender esses amigos. Toda amizade pra mim sempre foi muito valiosa. Nunca me senti bem quando acabava, ou simplesmente não ligar porque "é assim mesmo que é". Sempre sonhei com amizades para a vida toda e muitos amigos.

"Mas o que importa é a qualidade, não a quantidade". Nunca consegui ser "meia amiga", todas as minhas amizades o sou por inteiro, independente de quantos amigos eu tenha, me preocupo, me aproximo, divido bons e maus momentos... Talvez o meu erro seja esperar o mesmo dos meus amigos.

Talvez um dia eu realize esse sonho. Por ora aprendo a ter menos expectativas.

sexta-feira, 13 de maio de 2022

Carta aos meus velhos amigos

 Hoje quero falar a dois amigos muito estimados, mas que não tenho mais contato a algum tempo, espero que esse texto chegue até vocês de alguma forma.

H. e K. sempre os considerei muito, pois vocês tinham muita sabedoria, eu sabia que podia contar com vocês sempre que precisasse.

Acontece que eu nunca pertenci ao mundo de vocês. Tentei me encaixar, mas não deu certo. Vocês, junto com outros amigos, falavam de jogos, animes, waifus... eu queria jogar com vocês. Por isso baixei FGO. Meu time era todo mal upado, poucos tinham coragem de usar. Ainda assim não tínhamos muito assunto em comum. A única forma que eu tinha de conversar com vocês era falando de problemas, problemas que se repetiam... acho que acabei criando um vício, já que não tínhamos muito assunto em comum. Isso desgastou a nossa amizade... eu sei que nos afastamos justamente por eu viver num ciclo sem fim de problemas exatamente iguais. Sinto muito, de coração.

Sinto saudade do começo de nossa amizade, onde perguntavam "sobre o que você quer falar hoje?", ou brincávamos de esconde-esconde (sim, é possível duas pessoas que nunca se viram pessoalmente brincarem de esconde-esconde e é tão divertido quanto). A gente tinha conversas profundas e conversas bobas. Tivemos bons momentos que guardo pra sempre na memória. Às vezes me pego rindo desses momentos, ou me emocionando sobre belas coisas que me disseram. Eu sei que muitas vezes parecia que eu não ouvia vocês, mas depois eu refletia sobre o que era dito, dava razão a vocês, mas nunca lhes disse isso. Queria que vocês vissem o quanto mudei, o quanto evoluí ao ouvir o que vocês me disseram.

Apesar do H. se dizer ateu e do K. ter se afastado da Igreja ainda quando criança, eu via Deus em vocês, principalmente quando vinham com sábias palavras. Eu não entendo como duas pessoas que têm tanto de Deus em si, não O reconhecem. A sabedoria de vocês me mostrava a verdade e só existe uma Verdade. Sei que é difícil deixar prazeres desse mundo para seguir a Deus, falo por experiência própria. Mas se vocês estudassem um pouco, iriam chegar na Verdade e veriam que não é algo pesado como costumam pintar. Abrir mão de algumas coisas para um dia contemplar a Deus é um preço pequeno a se pagar e vocês o fariam de bom grado depois de um pouco de estudo e abertura do coração.

Rezo todos os dias por vocês (e outros amigos nossos) para que um dia se abram para a Verdade que já está em vocês. Vocês são inteligentes e bons, basta-lhes uma abertura de coração. Que Deus suscite em vocês a sede pela Verdade.

Amo vocês. Os espero para um dia falarmos sobre as grandezas que Deus tem reservado a nós.


*Esse texto é para todos os amigos que fiz no ano de 2020/2021. H. e K. não são os únicos. Não se sinta mal se não falei de ti. Posso não ter te mencionado, mas você também está nesse texto.

segunda-feira, 7 de março de 2022

Futuro incerto...

Hoje não trabalhei, não fiz nada do que eu tinha planejado, querido ou que deveria fazer.

Acordei tensa e conforme o dia foi passando fui ficando mais tensa. Não sei porque estou tensa ultimamente. E tensa pra mim significa dores e não poder fazer coisas simples, como andar por exemplo (a depender do quão tensa estou). E quando fico bastante tensa, como estou, fico irritada. Pouca coisa me tira do sério, não porque aquilo me irritou de fato, mas porque sentir essas dores e não poder fazer muita coisa faz eu me sentir tão inútil. Eu só tinha um trabalho para fazer e não o fiz porque estou muito tensa, e provavelmente este trabalho se arrastará por meses até eu ficar melhor.

A distonia é algo tão instável que a tão pouco tempo atrás eu me via num futuro (aqui não importa muito se bom ou ruim), hoje não me vejo nem no amanhã, é como se eu simplesmente desaparecesse da face da terra. A única coisa que consigo ainda ver no futuro é esse trabalho terminado chegando ao conhecimento de muitas pessoas e, com esperança, ajudando a muitos.

Não quero fama, não quero ser exemplo de nada, só quero concluir esse trabalho que tem me custado sangue, suor, lágrimas, náuseas, dores, lembranças boas e ruins... Me pergunto constantemente, será que alcançará tantas pessoas assim? Porque, como falei no texto anterior, poucos realmente me escutam e eu vi isso nos meus textos do Facebook/Instagram e nos meus vídeos. Se só esses poucos tiverem de fato interesse nesse trabalho então meu esforço será... em vão? (Sem querer ofender os poucos). Eu preciso alcançar muita gente para só assim poder ajudar quem passa por isso que também passo a anos. Então, se este for o meu último texto peço somente duas coisas: se eu não puder mais concluir o meu trabalho, concluam por mim e independente que eu o conclua ou vocês, os poucos, façam que ele chegue ao máximo possível de pessoas, me ajudem a ajudar outras pessoas.

*O trabalho que tanto falo não é o blog, nem meus textos no Facebook/Instagram ou os vídeos na cos.tv. Apesar de eu ter criado os dois últimos com a intenção de levar ao conhecimento das pessoas a distonia, eles não são o trabalho. O trabalho é outra coisa que enquanto não termino não quero falar aos quatro ventos (mesmo com algumas pessoas sabendo do que se trata).

Concluo este texto com um agradecimento aquelas pessoas que têm me dado forças pra continuar com o meu trabalho. Sem vocês provavelmente eu teria apenas desistido dele.




terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

Não estou aqui para ser motivacional!

     Desde quando a distonia surgiu em minha vida as pessoas tem me colocado em um lugar especial onde não importa o que eu faça ou diga sempre estão a dizer que sou guerreira, especial, exemplo pra todo mundo... No começo eu apenas me levantava da cama, ia para o sofá assistir a desenhos comendo bolacha, sem nem lavar o rosto ou pentear os cabelos, e isso era motivo para ser "exemplo pra todo mundo". Eu não fazia nada e ouvia  esse tipo de coisa constantemente.

Para ser guerreira, exemplo pra todo mundo e tantas outras coisas que dizem, a pessoa tem que fazer algo. De tanto eu ouvir isso como se ao ter uma doença rara eu ganhasse automaticamente super poderes, acabei ignorando toda vez que alguém dizia algo do tipo e com o tempo criei um certo asco dessas expressões.

Alguém me disse que todos têm limitações e quando as superamos nos tornamos motivação para alguém. Concordo com isso. Eu realmente não me importo quando as pessoas me tomam como exemplo quando supero os meus limites. Porém a partir do momento que as pessoas têm conhecimento da minha doença automaticamente me torno motivação para eles e o que falo ou faço não importa, só importa ser motivação.

Não faz muito tempo entrei num grupo do Facebook. Como a maioria faz, me apresentei e, para não ter de explicar um por um que viesse falar comigo o que eu tenho, deixei na minha apresentação que tenho uma doença neurológica que causa movimentos e contrações musculares involuntárias. Notei que tive um problema na minha postagem, então fui falar com o administrador do grupo para ver se resolvia a questão. Eu o cumprimentei e ele logo veio com as típicas falas "você é exemplo pra todo mundo...". Isso unicamente porque ele teve conhecimento da minha doença, não tinha a mínima ideia do que fiz ou deixei de fazer para então me tornar exemplo para alguém.

Recentemente fiz uma pequena pesquisa em meu Instagram a fim de melhorar o meu conteúdo. Dentre as perguntas perguntei como o meu conteúdo ajuda e como posso ajudar com o meu conteúdo. As respostas formam: "motivação", "escreva sobre motivação, como continuar apesar das dificuldades"... O que escrevi até aqui simplesmente não teve importância nenhuma para essas pessoas. Elas estão aqui apenas pela motivação. Honestamente, se buscam somente a isso tenho ótimos canais e páginas para recomendar.

Por que não gosto de ser motivação para quem sabe apenas que tenho uma doença e nada além disso?

Porque quando falo não sou ouvida. A pessoa sorri amavelmente, concorda com o que digo sem entender palavra e segue em frente. O que importa é que sou motivação, não importa realmente o que digo.

Por isso estou dando fim ao meu canal e meus textos no Instagram e página do Facebook. Só criei tudo isso com o intuito de falar e ser ouvida, nem que fosse para rirem de algum absurdo que eu disse.



Obrigada.